Bruna Conceição dos Santos, 25 anos, técnica de enfermagem e estudante de psicologia residente em Samambaia Sul, Distrito Federal, enfrenta uma mudança drástica em sua vida. Após se submeter a um procedimento com fenol para aliviar as dores da endometriose, realizado em uma clínica na Asa Sul, ela perdeu o movimento das pernas.
Em 2022, Bruna começou a sofrer de dores intensas decorrentes de endometriose profunda, afetando a região pélvica, quadril, lombar e baixo ventre. Apesar do uso de DIU, as dores persistiram, levando-a a experimentar diversas terapias, como aplicações de botox anal e bloqueio ferominal, com resultados temporários.
Após uma série de sessões de bloqueio venoso sem sucesso, o médico responsável optou pela aplicação de fenol para bloquear o nervo responsável pela dor. A jovem relata que ela e o marido não foram devidamente alertados sobre os riscos da substância. Segundo o marido, o médico não apresentou informações detalhadas para análise e minimizou os possíveis riscos. Ele alega que o médico teria usado uma concentração de fenol de 15%, enquanto o recomendado seria de 3 a 5%.
Bruna relata que, ao sair da sala de procedimento, necessitou de apoio para se locomover e sofreu quedas. Após o agravamento do quadro, o médico alegou que a perda de movimento não estava relacionada ao tratamento, sugerindo a possibilidade de uma hérnia de disco, hipótese posteriormente descartada por exames.
Diante da dificuldade em obter acompanhamento médico, o casal procurou o Conselho Regional de Medicina (CRM), que constatou a lesão. Atualmente, Bruna vive em cadeira de rodas e depende de ajuda para realizar tarefas básicas. O diagnóstico é de neuropatia neurocral e radiculopatia lombar com paraparesia dos membros inferiores.
A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) ingressou com uma ação judicial contra a clínica e o médico responsável, alegando possível imperícia médica. O processo busca indenização por danos morais e estéticos, pensão vitalícia, plano de saúde e custeio integral do tratamento de reabilitação.
Bruna segue em tratamento com fisioterapia e exercícios para evitar atrofia muscular. Ela expressa que o objetivo é alertar outras pessoas sobre os riscos e a importância de buscar informações detalhadas antes de se submeter a procedimentos médicos.
A clínica em questão negou que o procedimento tenha sido feito em suas dependências, afirmando que ambos os procedimentos ocorreram em ambiente hospitalar.

