Moda Sustentável na COP 30: Artesanato e Bioeconomia impulsionam Futuro

A artesã Terezinha Togojebado, do povo Bororo, exibe um colar feito de sementes de tiririca, explicando o aumento do preço, justificado pela dificuldade crescente em obter as matérias-primas devido às queimadas. Ela veio de Brasília para Belém, expondo seu artesanato na área aberta ao público da COP 30. A habilidade manual foi herdada, juntamente com o conhecimento sobre a coleta sustentável dos materiais. Terezinha exemplifica a importância dos ciclos naturais, como a lua nova, para a qualidade da fibra da palmeira de buriti.

A família de Terezinha, como muitos outros artesãos, depende da venda direta de seus produtos. Enfrentam desafios como atravessadores e renda instável. Contudo, essa atividade representa um caminho para a bioeconomia, que pode vir a corresponder a uma parcela significativa da economia global.

A bioeconomia, segundo definição do governo brasileiro, é um modelo de desenvolvimento produtivo e econômico baseado no uso sustentável da biodiversidade, conhecimento científico e tradicional. A transição para esse modelo é vista como crucial para a descarbonização, proteção ambiental e uma economia mais inclusiva.

A plataforma Tucum Brasil, por exemplo, compra artesanato indígena diretamente da fonte e vende online e em espaço físico, valorizando o contexto cultural de cada peça. Amanda Santana, diretora-executiva do projeto, promove oficinas de gestão e precificação para artesãs, fortalecendo sua autonomia financeira e valorizando sua cultura.

Durante a COP30, a Tucum Brasil facilitou uma oficina com mulheres Kayapó para o desenvolvimento de uma coleção de tiragem limitada. O processo envolveu a compreensão da moda para o povo Kayapó e a escolha de grafismos e cores, resultando em criações que podem ser replicadas.

A Yanciã, startup de moda e impacto socioambiental, mapeia biomateriais e técnicas em comunidades amazônicas, agregando valor ao artesanato local através de design e acabamento cuidadosos. Elijane Nogueira, fundadora, atua como curadora e colaboradora dos artesãos, buscando posicionar o artesanato num patamar de alta qualidade, valorizando a autoria coletiva.

A geração de renda estável é uma preocupação central. Amanda Santana busca investimentos para um fundo que assegure a compra contínua de artesanato, garantindo uma renda para as comunidades por pelo menos dois anos.

Além do artesanato, a biodiversidade brasileira oferece um vasto potencial de matérias-primas sustentáveis. O Programa Caminho Verde Brasil, anunciado na COP30, destinará recursos para restaurar áreas degradadas com a produção sustentável de grãos, fibras e biocombustíveis. Há discussões sobre o potencial de fibras como banana, laranja, cana de açúcar, malva, juta, sisal e cânhamo.

A Abit (Associação Brasileira de Indústria Têxtil) anunciou um estudo para mapear resíduos têxteis brasileiros e criar um sistema de logística reversa.

Lourrani Baas, estilista e empreendedora, cria roupas a partir de sobras e retalhos de tecidos sem origem fóssil. Sua startup, Liga Transforma, qualifica profissionalmente mulheres em situação de vulnerabilidade social, ensinando técnicas para maximizar o uso do tecido circular e aprimorar o acabamento.

No âmbito financeiro, a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) busca padronizar as práticas sustentáveis no país, orientando investimentos verdes e políticas públicas.

O estilista Sioduhi, de etnia Piratapuya, iniciou seu negócio com recursos próprios e financiamento coletivo. Após participar do Programa Inova Amazônia, desenvolveu um biocorante à base de casca de mandioca amazônica. Ele destaca a importância de investimentos que fomentem autonomia e continuidade nas comunidades.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *