Grifes de Luxo: Dança das Cadeiras e Novos Rumos em Milão e Paris

O universo da moda de luxo, conhecido por sua aparente solidez, revela-se suscetível a turbulências e especulações, especialmente no que tange à liderança criativa. Os últimos meses foram marcados por uma atmosfera de expectativa e apreensão, culminando em mudanças significativas que começaram a se desenhar nas coleções de Verão 2026, apresentadas em Milão e Paris.

Na Prada, a colaboração entre Miuccia Prada e Raf Simons, iniciada em 2020, passou por um período de adaptação. O desafio de conciliar estilos distintos gerou um debut considerado decepcionante por alguns. No entanto, a parceria parece ter encontrado um equilíbrio, com a coleção de Verão 2026 demonstrando uma harmonia entre os dois criadores. As peças, libertas de hierarquias, apresentam uma silhueta fluida e um estudo de reconstrução do vestuário feminino, combinando elementos característicos de Miuccia Prada com traços do designer belga.

Emporio Armani e Giorgio Armani apresentaram suas coleções, marcando o fim de uma era sob a direção do próprio Giorgio Armani. As criações, elegantes e atemporais, refletem o ápice do luxo. Mantendo a excelência e honrando o legado do fundador.

Demna Gvasalia surpreendeu com “La Famiglia” para Gucci, reacendendo o interesse pela marca, tanto pelo visual quanto pelo carisma. A coleção foi apresentada através de um curta-metragem estrelado por Demi Moore, com personagens vestindo as peças.

Sob a direção de Louise Trotter, Bottega Veneta apresentou sequências de Intrecciato. Versace, com Dario Vitale, trouxe uma reinterpretação da mulher Versace.

Na França, a disputa se intensifica entre Hermès, Margiela e Balenciaga. Na Dior, Jonathan Anderson remodelou ícones da marca em tempo recorde, criando uma coleção feminina. Matthieu Blazy optou por uma abordagem mais segura na Chanel, com referências ao acervo da grife, mas sem grandes inovações.

A avaliação das novas direções criativas nas maisons italianas e francesas ainda está em andamento. Assim como o vinho, a expectativa é que as coleções fiquem melhores com o tempo. A transição para novas lideranças apresenta desafios, expondo os designers a um intenso escrutínio público.

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