Lucas Guimarães compartilhou detalhes inéditos sobre o início de seu relacionamento com Carlinhos Maia, que durou 15 anos e terminou em julho. A história começou em Penedo, Alagoas, cidade natal de ambos, quando ainda eram adolescentes.
Durante uma entrevista, Lucas relembrou o primeiro encontro e os obstáculos enfrentados no início da relação. “Eu e Carlinhos éramos mulherengos. Eu ficava com muitas mulheres e ele também”, revelou. O encontro que mudaria tudo aconteceu por intermédio de um amigo em comum. “Um dia, um amigo em comum viu a gente em uma praça pública e disse: ‘Caramba, que moleque bonito’. O Carlinhos estava com ele e eu estava passando. Certo dia, a gente ficou se olhando e eu disse: ‘Caramba, que coisa louca! Esse cara mexeu comigo’. Foi estranho o que eu senti. Eu tinha 15 anos”, conta.
O contato inicial mais direto aconteceu online. “Na mesma hora, chego em casa e, no MSN, ele me manda mensagem: ‘Oi, primo, vamos sair?’. Comecei a dar algumas liberdades para ele. Só que ele passou dois anos e meio para me conquistar. Foram quase três anos para a gente ter alguma coisa”, recorda.
Naquela época, o preconceito em Penedo representava um grande desafio. “Vim de uma família muito tradicional. Minha mãe era professora e meu pai, vigilante. Eles diziam: ‘Prefiro ter um filho no caixão do que um filho gay. Prefiro ter dez filhas prostitutas do que ter um filho gay’”, desabafou Lucas. Para evitar o julgamento, Lucas mudava seus caminhos para se encontrar com Carlinhos. “Tinha um trajeto que levava dois minutos até a casa do Carlinhos, mas precisei mudar para despistar as pessoas. Passou a levar 15, 20 minutos, e eu entrava no matagal à noite, escondido, para ninguém me ver”, disse.
O primeiro beijo aconteceu em 19 de setembro de 2010, durante a Parada Gay de Penedo. “Foi no restaurante e um amigo nosso fechou a porta. Quando a gente foi ao banheiro, o Carlinhos me puxou. Ele sempre teve muita atitude. Me puxou, deu um beijo e foram 15 anos”, relembra.


