A Alexander McQueen apresentou sua coleção Verão 2026, ambientada em torno de um mastro de madeira adornado, construído pelo grupo folclórico irlandês Armagh Rhymers. O cenário evoca celebrações do solstício de verão, criando uma atmosfera que remete a filmes de terror.
A inspiração declarada é o filme de terror britânico “O Homem de Palha” (1973), um clássico cult que narra a investigação de um policial em uma ilha escocesa, onde descobre uma comunidade isolada praticando rituais pagãos.
Essa influência se manifesta em visuais com cores e estampas que refletem a natureza, permeados por rasgos, torções e movimentos que sugerem fuga. Vestidos desfeitos, jeans rasgados e espartilhos desamarrados compõem um visual de desconstrução.
A coleção evoca memórias da polêmica “Highland Rape” (Inverno 1995), de Alexander McQueen, que explorava temas de assédio. Na coleção atual, elementos de uma estética clubber se misturam à imagem de uma suposta transgressão. Modelos com cabelos desfeitos vestem baby tees, minissaias e calças de cintura baixa. A trilha sonora eletrônica do produtor A.G. Cook complementa a atmosfera.
Em contrapartida, surgem momentos mais românticos em babados e estampas que lembram papéis de parede antigos. Tricôs adornados com flores de crochê e couro, vestidos de renda e silhuetas volumosas com estampas aquareladas equilibram a coleção.
O diretor criativo questiona a repressão da natureza e dos instintos. A coleção parece buscar a expressão dos desejos mais profundos das mulheres, embora, por vezes, a encenação as faça parecer vulneráveis.
Apesar da ambivalência conceitual, a coleção demonstra um elevado nível técnico. A alfaiataria, um pilar da marca, está presente em blazers, tops e saias assimétricas, evocando expedições militares com toques góticos, vitorianos e detalhes ornamentais. Acessórios como saltos em formato de chifre (Verão 2003) e uma nova versão da bolsa Manta resgatam elementos do passado da grife.


