A trama de “Vale Tudo” reacendeu uma discussão importante sobre protagonismo e representatividade na teledramaturgia brasileira. Uma recente publicação online mencionando Odete Roitman (originalmente interpretada por Débora Bloch) como “protagonista” da novela gerou repercussão imediata entre o público. Muitos telespectadores manifestaram suas opiniões, enfatizando que a verdadeira protagonista da história sempre foi Raquel, papel que em 2025 será interpretado por Taís Araujo.
A força e o impacto de Odete Roitman na história são inegáveis. A personagem é considerada um ícone da televisão, com um papel de destaque dentro da narrativa. No entanto, essa relevância nunca obscureceu o fato de Raquel ser a heroína central da trama. Na versão original, mesmo com o sucesso da atriz Beatriz Segall, Regina Duarte manteve seu espaço como a protagonista. A preocupação levantada é que a personagem de Raquel, interpretada por Taís Araujo, possa ser negligenciada ou minimizada na nova versão.
A própria Taís Araujo já expressou suas preocupações sobre a trajetória de sua personagem. Em entrevista, a atriz mencionou que Raquel perdeu força, especialmente após uma reviravolta que a levou de volta à pobreza, o que não ocorreu na versão original. Esse comentário da autora da nova versão parece reforçar a percepção de uma possível desvalorização da protagonista.
Esta não seria a primeira vez que algo semelhante acontece. Em “Amor de Mãe”, também escrita por Manuela Dias, a personagem de Taís, Vitória, inicialmente apresentada como uma advogada poderosa e independente, teve seu arco narrativo reduzido ao empobrecimento e à perda de centralidade. Na época, a atriz já havia demonstrado desconforto com essa mudança, percebendo um padrão problemático.
A discussão não se trata de diminuir a importância de Odete Roitman. O ponto crucial é reconhecer que a força de uma vilã não deve eclipsar a protagonista. Quando essa protagonista é uma atriz negra, a questão ganha ainda mais relevância, tocando diretamente em questões de representatividade e inclusão.
O público se lembra de que Raquel é a protagonista de “Vale Tudo”. Se isso não foi um problema em 1988, não faria sentido que em 2025, com o avanço das discussões sobre protagonismo e diversidade, a personagem de Taís Araujo seja enfraquecida tanto na trama quanto na percepção da própria autora.

